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Cloverson e Gerry Foto: Arquivo pessoal

Quando tudo parece perdido, a fé mostra que sempre existe um novo começo.

Em meio à destruição e ao sofrimento causados pelo vendaval que atingiu o Paraná, uma história de fé e solidariedade começou a se destacar entre as ruínas. As imagens de casas destroçadas e de famílias sem abrigo tocaram corações em todo o Estado, mas foi o gesto de um empresário dos Campos Gerais que reacendeu a esperança de uma cidade.

O nome dele é Cloverson Desselman, um homem simples, trabalhador e movido pela fé, que decidiu transformar a dor de um desconhecido em um novo começo. Proprietário de uma metalúrgica especializada em estruturas metálicas, Cloverson soube da destruição do barracão do senhor Gilberto um mecânico que perdeu seu sustento e tomou uma decisão que mudaria o destino de ambos.

Mais do que doar um novo barracão, ele escolheu reconstruir a esperança. Um gesto nascido da fé, que ultrapassou os limites da caridade e se transformou em exemplo de humanidade, fé e amor ao próximo.

Tragédia e destruição no Sudoeste do Paraná

Quando a tragédia chegou a Rio Bonito do Iguaçu, no Sudoeste do Paraná, deixou um rastro de destruição e desespero. O vento forte, acompanhado de um tornado repentino, atingiu a cidade com violência, arrancando telhados, derrubando árvores, postes e casas inteiras. Ruas ficaram intransitáveis, comunidades rurais isoladas e dezenas de famílias perderam tudo o que haviam construído ao longo de uma vida.

As imagens registradas pelos moradores mostravam cenas impressionantes: veículos virados, construções reduzidas a escombros e o silêncio angustiante de quem via o sustento desaparecer diante dos olhos. Equipes de resgate e voluntários trabalharam sem descanso para socorrer os feridos e buscar os desaparecidos. O número de desabrigados passou de uma centena, e as perdas materiais se somaram à dor das vidas interrompidas o desastre deixou mortos e feridos, marcando para sempre a história do município.

Entre os que tiveram a vida transformada pela força do vento estava o senhor Gilberto, um trabalhador humilde que vivia de pequenos serviços de mecânica em seu barracão, destruído por completo. O espaço que antes representava esforço, sustento e dignidade virou ruína em questão de minutos.

Mas, em meio àquele cenário de tristeza, dor e perdas irreparáveis, uma nova história começou a ser escrita uma história movida pela fé, pela solidariedade e pelo amor ao próximo.


A decisão que mudou uma vida


De Carambeí, nos Campos Gerais, o empresário Cloverson Desselman, proprietário de uma metalúrgica especializada em estruturas metálicas, decidiu que não ficaria apenas assistindo. Assim que viu o vídeo mostrando o sofrimento do senhor Gilberto, tomou uma decisão que mudou o rumo da história: vai doar um novo barracão metálico completo, devolvendo ao trabalhador o espaço de trabalho, a esperança e a força de recomeçar.

“A vida da gente é muito curta, e você tem que fazer o bem para as pessoas. Eu vi o vídeo e senti que era ele quem eu queria ajudar. Deus tocou meu coração naquele momento”, afirmou emocionado.

O gesto comoveu o país. Em entrevista à Rede Globo, Cloverson contou que foi a fé que o moveu a agir.

Entre os escombros, um sinal divino


As cenas deixadas pelo vendaval eram desoladoras muros caídos, ferramentas retorcidas, famílias sem rumo. Mas entre os destroços, algo inexplicável aconteceu: as imagens religiosas permaneceram intactas.

Ali, entre os escombros, um detalhe chamou a atenção de todos: a imagem de Nossa Senhora Aparecida permanecia de pé, intacta, mesmo cercada pela destruição. Para muitos, aquilo não foi acaso, mas um recado silencioso de fé a lembrança de que, mesmo nas piores tempestades, a presença divina continua firme ao lado de quem acredita.

Em tantas outras tragédias registradas pelo país, cenas semelhantes se repetem: uma imagem de Nossa Senhora ou uma Bíblia permanecem intactas, intocadas pelo fogo, pela água ou pelos ventos. São sinais que, para quem crê, simbolizam a força da fé e o poder da palavra de Deus, que resistem onde nada mais permanece.

Uma cena como essa certamente toca o coração de quem vive a fé de forma verdadeira. E, para um homem como Cloverson, cuja vida é guiada pela devoção e pelo amor ao próximo, imagens assim apenas reforçam aquilo em que acredita: que a fé é capaz de sustentar e reconstruir o que o mundo derruba

O tropeiro por tradição e muladeiro por devoção

Cloverson Desselman carrega uma fé que o acompanha desde a infância e que se tornou o eixo de toda a sua trajetória. Essa fé não se limita às palavras ou aos gestos religiosos: ela é vivida no dia a dia, nas decisões, nas ações e na forma como ele enxerga o mundo.

Ao lado da esposa, Karine Galvão Desselman, ele encontrou na fé o sentido de caminhar e de servir, unindo espiritualidade, tradição e amor ao próximo.

O casal participa todos os anos de romarias e viagens tropeiras, percorrendo estradas, enfrentando o sol e a poeira, sempre com o mesmo propósito: levar esperança, oração e união. Em cada parada, há uma história contada, uma prece feita, um agradecimento renovado.

Em cada trajeto, uma demonstração de que a fé é o combustível que move o corpo e a alma.

Veja alguns registros dessas viagens

Cloverson é conhecido nos Campos Gerais e em diversas regiões do Brasil como o “tropeiro da fé”. Com a imagem de Nossa Senhora Aparecida sempre à frente e o coração voltado para Deus, ele já percorreu quilômetros de estrada em devoção, passando por Aparecida, Goiás, Barretos e outros destinos marcados por tradição e religiosidade. Nessas jornadas, costuma dizer que não leva apenas a própria fé, mas também as intenções e pedidos de todos aqueles que confiam em suas orações.

Ao seu lado, Karine é presença constante. Ela participa das viagens, organiza as ações, acolhe as pessoas e compartilha a mesma crença inabalável que sustenta o casal. Em cada cavalgada, nas missas de encerramento e nos encontros com outros tropeiros, os dois mostram que o amor e a fé caminham juntos, e que a espiritualidade se fortalece quando é vivida em partilha.

Essas viagens não são apenas tradições; são atos de entrega espiritual. Cloverson e Karine seguem com humildade e determinação, levando consolo, fé e amizade a quem cruzam pelo caminho. Em cada cidade, deixam um rastro de inspiração e um exemplo de que a verdadeira grandeza está em servir.

Chamado por muitos de “homem de fé e coração bom”, Cloverson demonstra que ser tropeiro é mais do que andar a cavalo é carregar no peito a missão de levar a fé onde ela é necessária. Suas jornadas se transformaram em testemunhos de devoção e solidariedade, e seu nome, junto ao de Karine, se tornou sinônimo de generosidade e esperança por onde passam.

Todos os anos, ele participa de romarias e viagens tropeiras, percorrendo longas distâncias montado em suas mulas, sempre levando consigo a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Já esteve em Aparecida, Barretos, Goiás e em tantos outros lugares, sempre com uma boa história para contar, espalhando a fé e o bem por onde passa.

“Quem anda com fé nunca está sozinho”

Em 2025, participou novamente do Encontro Nacional de Muladeiros do Bem, em Barretos, levando o nome dos Campos Gerais e mostrando que ser tropeiro é mais do que tradição é viver com propósito, devoção e amor ao próximo.

De origem humilde a exemplo de grandeza

A trajetória de Cloverson é marcada por superação. Nascido em uma família humilde, enfrentou dificuldades desde criança. Trabalhou cedo, lutou, caiu e se levantou inúmeras vezes.

Hoje, com esforço e honestidade, construiu sua metalúrgica e conquistou o respeito da comunidade. Mas, apesar do sucesso, nunca deixou de olhar para o lado para quem precisa, para quem sofre, para quem perdeu tudo.

Essa essência o levou, em 2024, ao Rio Grande do Sul, quando o estado enfrentou uma das maiores tragédias climáticas de sua história. As enchentes devastaram cidades inteiras, arrastaram pontes, destruíram casas e deixaram milhares de famílias sem nada além da roupa do corpo. A cada imagem que surgia nas redes e nos noticiários, aumentava o clamor por ajuda e Cloverson, movido pela fé e pelo coração solidário, não hesitou em agir.

Ao lado de amigos e voluntários, ele reuniu doações, organizou o transporte de mantimentos e percorreu quilômetros para chegar às comunidades mais afetadas.

Foram dias intensos, de muito trabalho e emoção, em meio a histórias de perdas, mas também de esperança. Cloverson não levou apenas alimentos e roupas: levou presença, palavra de conforto e o testemunho de quem acredita que a fé deve ser vivida com atitudes.

Em cada gesto, demonstrava respeito, empatia e gratidão a Deus pela oportunidade de servir. Para ele, ajudar quem sofre é mais do que solidariedade é missão. Foi ali, entre pessoas que choravam, mas ainda mantinham a fé, que reafirmou a própria convicção de que o bem precisa ser partilhado.

De volta aos Campos Gerais, Cloverson não se gabou do que fez, nem buscou reconhecimento. Contou apenas que aprendeu mais do que ofereceu, e que cada olhar de gratidão era uma oração viva. Essa experiência reforçou ainda mais a sua crença de que é possível transformar o mundo com gestos simples, guiados por fé, coragem e amor.

O mesmo coração que atravessou o Sul agora chegou até Rio Bonito do Iguaçu, movido pelo mesmo propósito: servir e ajudar.

Recomeço e esperança em Rio Bonito do Iguaçu

Cloverson chegou à cidade acompanhado do amigo Gerry, levando ferramentas, ânimo e fé.

Ao encontrar o senhor Gilberto, fez questão de olhar nos olhos dele e prometer:

“O senhor vai ter o seu barracão de volta.”

As palavras foram recebidas com lágrimas.


“Agora o homem velho aqui se fortalece, e a gente leva mais um dia de vida”, disse Gilberto, com a voz embargada pela emoção.

O novo barracão vai começar a ser erguido em breve será um símbolo de um recomeço não apenas físico, mas espiritual. Porque o que está sendo reconstruído ali vai além das paredes de metal: é a esperança de uma vida inteira.

Fé que transforma

A história de Cloverson Desselman é a prova viva de que a fé pode transformar o mundo. Ele é um homem simples, de coração enorme, que carrega no olhar a luz de quem acredita em Deus e no poder do bem.

Ao lado de Karine, sua companheira de todas as jornadas, mostra que fazer o bem não é questão de oportunidade é um estilo de vida.

O menino que teve origem humilde cresceu e se tornou grande, não pelo que conquistou, mas por tudo o que oferece ao próximo.

Em cada gesto, Cloverson reafirma que a fé é a base, o amor é o caminho e o bem é a missão.

Histórias como essa são as que realmente movem o mundo. Elas nos lembram que, em meio às dificuldades, ainda existem pessoas que mantêm viva a fé, a simplicidade e o desejo genuíno de fazer o bem. A trajetória de Cloverson sua família e amigos que mostram que a verdadeira grandeza está em servir, em estender a mão sem esperar nada em troca, e em transformar a dor em recomeço.

Agradecemos o carinho, a simplicidade e a generosidade com que permitiram que essa história fosse contada com o propósito de que o exemplo de fé, amor e humanidade inspire outros corações a acreditar que o bem, quando nasce do coração, se espalha e transforma vidas.

Fotos: Arquivos pessoal família Desselman
Redação Campos Gerais em Foco

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